Quaresma: tempo de olhar para Deus

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Pois bem cristãos, é chegado o Período de Quaresma. Logo em seu começo, na Quarta-feira de Cinzas, já é evidente do que esse tempo se trata. Ao aspergir as cinzas sobre os fiéis, o Padre profere as palavras: “convertei-vos e crede no Evangelho” ou “lembra-te que és pó e ao pó retornaras”. Isso torna evidente que se trata de uma proposta séria de seguir a palavra de Deus, deixar de lado as coisas do mundo e voltar nossa atenção inteiramente a Ele.

Também nos lembra de nossa condição de criaturas de Deus, convidando-nos assim a deixar nossas diferenças de lado e sermos misericordiosos uns com os outros. Isso tudo é necessário para que nos preparemos para a Festa mais importante do ano, a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. E para melhor participarmos das celebrações da Paixão, Morte e Ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo, todo o povo de Deus é convidado a se preparar através de jejuns, penitencias e confissões.

Que todos nós possamos nessa Quaresma voltar nossos Olhos ao Deus Altíssimo e lhes render glória e louvor. Este é um tempo favorável para utilizarmos sua Misericórdia, pedirmos o perdão pelos nossos pecados, nos desprender das coisas mundanas e assim e nos converter sinceramente a Palavra do Senhor. Uma santa Quaresma a todos.
Jesus Misericordioso, nós confiamos em vós.

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Cidade do Vaticano (RV) - Um Jubileu extraordinário, um Ano Santo da Misericórdia: foi o anúncio que o Papa Francisco fez na tarde desta sexta-feira, na Basílica Vaticana, durante a homilia da celebração penitencial com a qual o Papa abriu a iniciativa “24h para o Senhor”. Um anúncio acolhido com o aplauso dos presentes.

“Decidi convocar um Jubileu extraordinário centralizado na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: “Sede misericordiosos como o vosso Pai” (cfr Lc 6,36). Este Ano Santo – explicou o Pontífice – terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e se concluirá em 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo e rosto vivo da misericórdia do Pai.”

Durante a homilia Francisco ressaltou a riqueza da misericórdia de Deus evidenciando “com quanto amor Jesus olha para nós, com quanto amor cura o nosso coração pecador”. A seguir, a homilia na íntegra:

Também este ano, na vigília do quarto Domingo da Quaresma, nos reunimos para celebrar a liturgia penitencial. Unimo-nos a tantos cristãos que, em todas as partes do mundo, acolheram o convite a viver este momento como sinal da bondade do Senhor. De fato, o Sacramento da Reconciliação permite recorrer confiantemente ao Pai para ter a certeza de seu perdão. Ele é verdadeiramente “rico de misericórdia” e a estende com abundância àqueles que recorrem a Ele com coração sincero.

Em todo caso, estar aqui para fazer a experiência de seu amor é, em primeiro lugar, fruto da sua graça. Como nos recordou o apóstolo Paulo, Deus jamais cessa de mostrar ao longo dos séculos a riqueza da sua misericórdia. A transformação do coração que nos leva a confessar os nossos pecados é “dom de Deus”, é “obra sua” (cfr Ef 2,8-10). Ser tocados com ternura por sua mão e plasmados pela sua graça permite-nos, portanto, aproximar-nos do sacerdote sem temor pelas nossas culpas, mas com a certeza de ser por ele acolhidos em nome de Deus, e compreendido apesar de nossas misérias. Saindo do confessionário, sentiremos a sua força que dá novamente a vida e restitui o entusiasmo da fé.

O Evangelho que ouvimos (cfr Lc 7, 36-50) nos abre um caminho de esperança e de conforto. É bom sentir sobre nós o mesmo olhar de compaixão de Jesus, assim como o percebeu a mulher pecadora na casa do fariseu. Neste trecho duas palavras retornam com insistência: amor e juízo.

Há o amor da mulher pecadora que se humilha diante do Senhor; mas antes ainda há o amor misericordioso de Jesus por ela, que a impele a aproximar-se. Seu choro de arrependimento e de alegria lava os pés do Mestre, e seus cabelos os enxugam com gratidão; os beijos são expressão de seu afeto puro; e o unguento perfumado derramado com abundância atesta como Ele é precioso a seus olhos. Cada gesto desta mulher fala de amor e expressa seu desejo de ter uma certeza inquebrantável em sua vida: a de ter sido perdoada. E Jesus lhe dá essa certeza: acolhendo-a demonstra-lhe o amor de Deus por ela, justamente por ela! O amor é o perdão são simultâneos: Deus lhe perdoa muito, tudo, porque “muito amou” (Lc 7,47); e ela adora Jesus porque sente que n’Ele há misericórdia e não condenação. Graças a Jesus, seus muitos pecados Deus os deixa para trás, não os recorda mais (cfr Is 43,25). Para ela, então, tem início uma nova estação; renasceu no amor para uma vida nova.

Esta mulher verdadeiramente encontrou o Senhor. No silêncio, abriu-lhe o coração; na dor, mostrou-lhe o arrependimento por seus pecados; com seu choro, apelou à misericórdia divina para receber o perdão. Para ela não haverá nenhum juízo a não ser o que vem de Deus, e este é o juízo da misericórdia. O protagonista deste encontro é certamente o amor que vai além da justiça.

Simão o fariseu, pelo contrário, não consegue encontrar o caminho do amor. Permanece parado na soleira da formalidade. Não é capaz de dar o passo sucessivo para ir ao encontro de Jesus que lhe traz a salvação. Simão limitou-se a convidar Jesus para o almoço, mas não o acolheu verdadeiramente. Em seus pensamentos invoca somente a justiça, e assim fazendo, erra. Seu juízo sobre a mulher o distancia da verdade e não lhe permite nem mesmo compreender quem é o seu hóspede. Deteve-se na superfície, não foi capaz de olhar para o coração. Diante da parábola de Jesus e da pergunta sobre qual servo amou mais, o fariseu responde corretamente: “Aquele ao qual perdoou mais”. E Jesus observa: “você julgou bem” (Lc 7,43). Somente quando o juízo de Simão é dirigido ao amor, então ele acerta.

O chamado de Jesus leva cada um de nós a jamais deter-se na superfície das coisas, sobretudo quando temos diante de nós uma pessoa. Somos chamados a olhar além, a nos voltar para o coração para ver de quanta generosidade cada um de nós é capaz. Ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus; todos conhecem o caminho para ter acesso a ela e a Igreja é a casa que todos acolhe e a ninguém rejeita. Suas portas permanecem escancaradas, a fim de que aqueles que foram tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Maior é o pecado e maior deve ser o amor que a Igreja expressa para com aqueles que se convertem.

Caros irmãos e irmãs, pensei muitas vezes sobre como a Igreja possa tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que se inicia com uma conversão espiritual. Por isso decidi convocar um Jubileu extraordinário centralizado na misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: “Sede misericordiosos como o vosso Pai” (cfr Lc 6,36).

Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição e se concluirá em 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do universo e rosto vivo da misericórdia do Pai. Confio a organização deste Jubileu ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, a fim de que possa animá-lo como uma nova etapa do caminho da Igreja em sua missão de levar a toda pessoa o Evangelho da misericórdia.

Estou certo de que toda a Igreja poderá encontrar neste Jubileu a alegria para redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual todos somos chamados a dar consolação a todo homem e toda mulher de nosso tempo. Desde já o confiamos à Mãe da Misericórdia, a fim de que volte para nós o seu olhar e vele sobre nosso caminho.

Fonte: Rádio Vaticana

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Com uma postura de assumir um compromisso com Deus e consigo, Papa Francisco recorda que todos somos pecadores e somente uma atitude de misericórdia para com o próximo e de sabedoria de reconhecer o próprio pecado nos coloca no caminho da vida cristã.

Cidade do Vaticano (RV) – É fácil julgar os outros, mas seguimos adiante no caminho cristão somente se temos a sabedoria de acusar a si mesmo: foi o que disse o Papa retomando, após os exercícios espirituais, a celebração da Santa Missa na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

As leituras do dia estão centralizadas no tema da misericórdia. O Papa, recordando que "todos nós somos pecadores" - não "em teoria", mas na realidade -, indica "uma virtude cristã, ou melhor, mais do que uma virtude": "a capacidade de acusar a si mesmo". É o primeiro passo para quem deseja ser cristão:

"Todos nós somos mestres, somos doutores em justificar a nós mesmos:" Mas, não fui eu, não, não é culpa minha, mas sim, não foi tanto, eh ... As coisas não são assim ... '. Todos nós temos um álibi de explicação das nossas falhas, dos nossos pecados, e muitas vezes somos capazes de fazer aquela cara de "Mas, eu não sei', cara de, ‘Mas eu não fiz, talvez seja outro": fazer cara de 'inocente’. E assim se vai adiante na vida cristã”.

"É mais fácil culpar os outros" - observou o Papa -, mas "ocorre uma coisa de certo modo estranha" se tentamos nos comportar de maneira diferente: “quando começamos a olhar para o que somos capazes de fazer", no início, “nos sentimos mal, sentimos nojo”, depois isso “nos dá paz e saúde”. “Por exemplo - disse o Papa Francisco -, "quando eu encontro no meu coração uma inveja e sei que esta inveja é capaz de falar mal do outro e matá-lo moralmente", esta é a "sabedoria de acusar a si mesmo." "Se nós não aprendermos este primeiro passo da vida, nunca, nunca daremos passos no caminho da vida cristã, da vida espiritual":

"É o primeiro passo, para acusar a si mesmo. Sem dizer, não? Eu e a minha consciência. Vou pela rua, passo diante da prisão: "Eh, estes merecem isso" - "Mas você sabe que se não fosse pela graça de Deus, você estaria lá? Você pensou que você é capaz de fazer as coisas que eles fizeram, ou ainda pior?'. Isto é a acusar a si mesmo, não esconder a si próprio as raízes do pecado que estão em nós, as muitas coisas que somos capazes de fazer, mesmo se não se veem."

O Papa sublinha outra virtude: vergonhar-se diante de Deus, em uma espécie de diálogo em que reconhecemos a vergonha do nosso pecado e a grandeza da misericórdia de Deus:

"'A Vós, Senhor, nosso Deus, a misericórdia e o perdão. A vergonha a mim, e a Vós a misericórdia e o perdão". Este diálogo com o Senhor vai nos fazer bem nesta Quaresma: a acusação de si mesmo. Peçamos misericórdia. No Evangelho, Jesus é claro: "Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso". Quando se aprende a acusar a si próprio se é misericordioso para com os outros: "Mas, quem sou eu para julgar, se eu sou capaz de fazer coisas piores? '".

A frase: "Quem sou eu para julgar o outro" - disse o Papa - obedece precisamente à exortação de Jesus: "Não julguem, e vocês não serão julgados; não condem, e não serão condenados; Perdoem, e serão perdoados. Em vez disso - destacou -, "como gostamos de julgar os outros, fofocando sobre eles."

"Que o Senhor, nesta Quaresma - concluiu o Pontífice –, nos dê a graça de aprender a nos acusarmos", conscientes de que somos capazes "de fazer coisas ruins”, e dizer: "Tenha piedade de mim, Senhor, ajude-me a envergonhar-me e me dê a misericórdia, assim poderei ser misericordioso para com os outros” (SP).