Diretrizes do Grupo Jovem Metanóia (2017)

“Metanóia” tem sua origem no grego e, em seu sentido original, significa mudar o próprio pensamento, mudar de ideia, mas não apenas isso. Metanóia significa mudar para uma nova forma de vida, um novo modo de viver. No Novo Testamento é a palavra usada para traduzir arrependimento. Quem se arrepende, expande a mente, muda o pensamento e passa a viver diferente. Quem sofre metanoia, muda. Muda a si e muda o mundo.

O Apóstolo Paulo escreve aos romanos: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12, 2). Nesta passagem está o cerne do nome deste Grupo Jovem: ser agente transformador de sua própria vida, dos jovens participantes e de nossa comunidade pela graça Divina, buscando discernimento para se viver a vontade de Deus, pela ação do Espírito Santo.

OBJETIVO GERAL

  • A formação do Grupo Jovem Metanóia tem por objetivo contribuir para a formação integral - em sua dimensão humana, espiritual e intelectual - de jovens a partir dos 18 anos, preparando-os para uma vida onde possam gozar em plenitude da liberdade dada por Deus e a caminhar sempre no caminho de Cristo, entendendo e aceitando o peso de suas próprias cruzes, mas com a certeza da vitória sobre a morte.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Estabelecer diretrizes e identidade para a constituição de um grupo jovem que possa perdurar através de sucessivas gerações de jovens que se identifiquem com o carisma proposto;
  • Vivenciar o carisma das obras de misericórdia;
  • Contribuir para o amadurecimento espiritual dos jovens participantes;
  • Formar novas lideranças para conduzir novas células do grupo jovem;
  • Formar os jovens para a vida em comunidade e encaminhá-los para servir nas pastorais da Igreja, conforme seus talentos;

MOTIVAÇÃO BÍBLICA

A motivação bíblica tem por objetivo dar o direcionamento espiritual do grupo. Na Sagrada Escritura ouvimos a voz de Deus a nos orientar e a nos encorajar para que, guiados pelo Espírito Santo, estejamos sempre vigilantes à Sua vontade.

Mateus 5:3‭-‬12

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.  Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por minha causa.
Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que existiram antes de vós.”

DOCUMENTO BASE

No Documento Base buscamos ouvir a voz da Igreja para inspirar nossas ações e nos guiar em comunhão com o Santo Papa.

No Ano Santo da Misericórdia, em 2016, Papa Francisco escreve a toda a juventude, convidando-nos a viver a quinta bem-aventurança: sermos Misericordioso uns com os outros, amando-nos mutuamente. Também nos convida a viver as obras de misericórdia, espirituais e corporais, e isto torna claro ao nosso coração o dever de vivê-las intensamente no Grupo Jovem Metanoia.

Trecho da Carta do Papa Francisco para a JMJ 2016

"A Palavra de Deus ensina-nos que «a felicidade está mais em dar do que em receber» (Act 20, 35). É precisamente por este motivo que a quinta Bem-aventurança declara felizes os misericordiosos. Sabemos que o Senhor nos amou primeiro. Mas só seremos verdadeiramente bem-aventurados, felizes, se entrarmos na lógica divina do dom, do amor gratuito, se descobrirmos que Deus nos amou infinitamente para nos tornar capazes de amar como Ele, sem medida. Como diz São João: «Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor. (…) É nisto que está o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros» (1 Jo 4, 7-11).

Dado que vós, jovens, sois muito concretos, quereria propor-vos a escolha de uma obra de misericórdia corporal e outra de misericórdia espiritual para pôr em prática cada mês nos primeiros sete meses de 2016. Deixai-vos inspirar pela oração de Santa Faustina, apóstola humilde da Misericórdia Divina nos nossos tempos."

CARISMA

No Catecismo da Igreja Católica encontramos a significação dos carismas:

  • 799 Quer extraordinários quer simples e humildes, os carismas são graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm urna utilidade eclesial, pois são ordenados à edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo.
  • 800 Os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja, pois são uma maravilhosa riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo, contanto que se trate de dons que provenham verdadeiramente do Espírito Santo e que sejam exercidos de maneira plenamente conforme aos impulsos autênticos deste mesmo Espírito, isto é, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas.

Papa Francisco, em audiência geral das quartas-feiras na Praça de São Pedro, no dia 01/10/2014, afirma que “o carisma é uma graça, um dom concedido por Deus Pai, através da ação do Espírito Santo. E é um dom que é dado a alguém não porque seja melhor que os outros ou porque o tenha merecido: é um presente que Deus lhe dá, para que com a mesma gratuidade e o mesmo amor possa transmiti-lo a serviço de toda a comunidade, para o bem de todos”.

Ainda no Catecismo da Igreja Católica, encontramos que “(910) os leigos também podem sentir-se ou serem chamados a colaborar com os pastores no serviço da comunidade eclesial, trabalhando pelo crescimento e vida da mesma, exercendo ministérios muito variados, segundo a graça e os carismas que ao Senhor aprouver comunicar-lhes (457)”.

Deste modo, o Grupo Jovem Metanóia propõe aprofundar-se nos carismas das obras de misericórdia, espirituais e corporais, para contribuir com o crescimento de nossa comunidade paroquial e regional, atuando especialmente em prol da juventude, atendendo ao chamado da Igreja para colaborar com nossos pastores.

Obras de misericórdia corporais:

  • 1ª Dar de comer a quem tem fome;
  • 2ª Dar de beber a quem tem sede;
  • 3ª Vestir os nus;
  • 4ª Dar pousada aos peregrinos;
  • 5ª Assistir aos enfermos;
  • 6ª Visitar os presos;
  • 7ª Enterrar os mortos.

Obras de misericórdia espirituais:

  • 1ª Dar bom conselho;
  • 2ª Ensinar os ignorantes;
  • 3ª Corrigir os que erram;
  • 4ª Consolar os aflitos;
  • 5ª Perdoar as injúrias;
  • 6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
  • 7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

O grupo jovem escolherá uma obra de misericórdia corporal e espiritual para vivenciar a cada ano.

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

A estrutura organizacional tem por objetivo estabelecer os papéis, atribuições e responsabilidades dos jovens que conduzirão o grupo, cada um em sua fase. A duração para cada papel deverá acompanhar as recomendações do Plano de Pastoral da Arquidiocese.

Estrutura de liderança

  • Assessor(es) - Pessoa(s) com mais experiência do grupo que terá por função unificar, formar, organizar e planejar. Cabe ao assessor orientar e acompanhar os jovens, dando-lhes meios e formação necessários para o amadurecimento e crescimento na fé;
  • Líderes: São os jovens responsáveis diretamente pelos subgrupos do Grupo Jovem. Funcionam como os “braços” do assessor, ajudando-o a planejar, formar e orientar os outros jovens. A função principal dos líderes é de cuidar do grupo jovem e de seus membros, criando e aplicando as reuniões junto com os animadores e o assessor, mantendo assim o grupo caminhando.
  • Animadores: São os jovens que estão em processo de capacitação para liderança. Começam a ser introduzidos no planejamento das atividades do grupo e tem o papel de animar e motivar os membros, sem estar em posição de liderança. Ajudam os líderes na organização das atividades.
  • Secretários e tesoureiros: Cuidam da parte burocrática. São responsáveis por toda a documentação do grupo, tais como atas, emails, marcar presença, prestação de contas, cobrança, etc.
  • Participantes: São os jovens que participam do grupo e ainda não atingiram o nível necessário para que se tornem animadores ou líderes. Estão no processo de nucleação ou o de iniciação pastoral.

Estrutura do grupo

Célula: São grupos com 10 a 12 jovens (inspirado nos apóstolos) onde serão trabalhados os temas e atividades específicas. A proposta do nome célula é para que se tenha a compreensão de que todas as células integram o organismo do Grupo Jovem, que, por sua vez, é um membro do corpo da Igreja. As vantagens de trabalharmos com grupos menores são:

  • Grupos pequenos permitem um maior conhecimento entre os membros;
  • É possível desenvolver uma metodologia baseada no diálogo, na amizade, no amor, no acolhimento, na confiança, na troca de experiência e no amadurecimento da fé entre os membros do grupo. Já em um grupo grande, em geral, são poucos os que podem expor suas idéias, criam-se as "panelinhas", disputas, troca-se a qualidade pela quantidade (não queremos muitos jovens, mas queremos, jovens comprometidos). Nada impede que tenhamos várias células em um mesmo local;
  • Há menos rotatividade entre os membros, o que permite que cada jovem cresça em sua fé e compromisso na medida em que vai fazendo uma caminhada no grupo. O(s) líder(es), animador(es) ou assessor(es) pode(m) acompanhar melhor seus jovens, ajudando-os em seus problemas e dificuldades e, principalmente, seguindo seu crescimento dentro do grupo.
  • É possível criar uma linha de crescimento evitando que o grupo tenha que regredir em seus assuntos, por causa da rotatividade ou entrada de novas pessoas.
  • Quando se inicia um grupo, inicia-se também uma caminhada de conjunto e vivência entre os membros do grupo.

Uma nova célula será formada quando:

  • O número de membros em uma célula exceder em 50% o número previsto de participantes.
  • O assessor e os líderes deverão indicar um novo líder e um animador para a nova célula.

Os encontros das células serão realizados em local definido pelo líder, observando  as seguintes recomendações:

  • Inicialmente os encontros das células deverão ser conduzidos na Igreja;
  • Conforme o crescimento da intimidade do grupo, o líder poderá sugerir que os encontros sejam realizados na casa de seus membros;

METODOLOGIA

A metodologia tem por objetivo orientar as atividades do grupo jovem a partir de etapas. Cada novo jovem que integrar o grupo viverá seu próprio caminho de crescimento. Por esta razão, é fundamental que os líderes busquem o acompanhamento próximo de seus membros para planejar as atividades apropriadas para sua célula, respeitando as etapas de crescimento de cada jovem.

Etapas de Crescimento

  1. Nucleação (Etapa de socialização):

É o primeiro contato com o grupo onde o mais importante é fortalecer a coesão grupal e a amizade entre os membros. Nesta etapa o assessor, os líderes e os animadores buscam melhorar o entrosamento entre os jovens através de dinâmicas, brincadeiras, dias de lazer, etc. Aos poucos são introduzidos elementos da metodologia VER-JULGAR-AGIR-REVER-CELEBRAR. Os temas giram em torno do cotidiano do jovem e de questões mais pessoais como namoro, família, amizade, sexo, drogas, trabalho, etc. As atividades do grupo terão um caráter mais assistencialista e de intervenção social como a visita a creches, asilos, campanhas para arrecadar alimentos, etc. É importante que o líder leve os jovens a irem questionando as causas dessas situações e a perceberem as dimensões religiosas e sociais dos problemas. Ao se fazer a nucleação, deve-se dar ênfase aos jovens que tenham o mesmo ambiente de convívio (idades próximas, gostos, sejam da mesma série, bairro, tenham participado do mesmo encontro, etc.).  Nesta fase trabalha-se muito os valores.

  1. Etapa de aprofundamento (Iniciação 1)

O jovem vai descobrindo qual é o projeto que Deus reservou para ele através de um maior aprofundamento da Bíblia e do conhecimento do projeto de Cristo. Cada vez mais o líder vai introduzindo uma reflexão bíblica à luz da realidade. Busca-se reforçar os momentos de espiritualidade, através do Terço Cantado e do Tottus Tuus, retiros de oração ou de estudo bíblico, por exemplo. É importante que se usem cantos ligados à realidade do povo e que ajudem na compreensão mais exata sobre a realidade do povo de Deus, não se restringindo apenas a cantos litúrgicos, mas também se utilizando de músicas populares que apresentem valores humanos coerentes aos valores cristãos. Os jovens devem conhecer a pessoa de Jesus e o seu projeto, não só através da reflexão mas também do testemunho pessoal do líder e de outros membros da comunidade. Aos poucos eles vão abandonando uma fé de simples devoção, de herança familiar e assumindo uma fé mais comprometida.

  1. Etapa de comunhão (Iniciação 2)

Nesta fase os jovens vão descobrindo-se como parte da igreja local, da paróquia, da comunidade e de que o grupo tem um papel a desempenhar na Igreja de conjunto. Os jovens vão assumindo algumas tarefas na comunidade educativa: liturgia, festas, encontros, catequese, etc. É importante que os jovens percebam também a especificidade do grupo e não acabem sendo "engolidos" pelas tarefas que assumem, ou seja, que o grupo se transforme em um grupo cuja única função é animar as celebrações, fazer reuniões ou apenas se reunir, por exemplo. Como existe falta de pessoas que se dediquem às atividades da comunidade, logo os jovens acabam assumindo uma série de tarefas, acabam virando "pau-pra-toda-obra". Os jovens devem perceber a importância da vida comunitária, mas que a missão dos jovens transcende os muros da igreja; ela está voltada para transformação da juventude e do mundo.

  1. Etapa de descoberta (Iniciação 3)

O jovem vai avançando em sua consciência através da discussão de temas e de ações que envolvem o meio social em que ele vive. Nesta etapa o grupo passa a refletir mais sobre temas como desemprego, violência, fome, política, etc., e a assumir atividades que têm em vista a mudança social. Também é nesta fase que se passa por um aprofundamento maior na fé e na Igreja. O grupo começa a entender a importância de fazer parte do corpo de Cristo. Descobre também a importância da Formação Integral e das Etapas de Crescimento. Em geral, o grupo passa a viver uma crise em conseqüência dos compromissos que assume. Passa a enfrentar a oposição de alguns jovens da Igreja e de fora da Igreja. Os jovens que só querem saber de diversão, ao perceberem as mudanças no grupo, acabam se afastando ou criticando. Muitos definem determinadas atividades no grupo, "mas na hora", só uma meia dúzia assume... Tudo isso caracteriza um momento de crise no grupo, que  pode ser positiva na medida em que indica uma transformação que está acontecendo no grupo. É hora de separar o "o joio do trigo", aqueles que realmente estão comprometidos com o projeto de Jesus ficam, outros saem. Mas isso não significa necessariamente uma perda, significa que aqueles que saíram foram até o limite do que podiam oferecer. Levarão sempre consigo as coisas que aprenderam no grupo e é até possível que voltem depois de um tempo. Os que ficam aprenderão que estar no caminho do Reino exige renúncias e muita disposição para lutar. Na medida, porém, que começam a colher os frutos de suas ações, sentem-se recompensados e novamente cheios de esperança.

  1. Maturidade ou Compromisso

Nessa fase o grupo pode assumir vários projetos de transformação da juventude - individual ou coletivamente. Pode-se optar, por exemplo, pela formação de novos grupos, além de dar continuidade às ações que já vinham desenvolvendo. Cada grupo decidirá o que fazer de acordo com as exigências de sua realidade. Isto pode significar o início da morte do grupo ou de seu processo de crescimento e “ressurreição”, o que dá na mesma.  Aqui abre-se um vasto caminho de engajamento dentro ou fora da Igreja. O grupo se transforma numa sementeira de novos grupos, pronto para crescer e frutificar. Os jovens devem procurar manter o vínculo, e ajudar-se mutuamente, celebrando juntos e aprofundando a fé. Em todas as fases, o acompanhamento de um assessor é fundamental. O importante em qualquer grupo é não permitir o entra e sai de pessoas. Um jovem que entra num grupo deve percorrer estas etapas e amadurecer e se comprometer com outras coisa. Ele não pode ficar para sempre em um grupo de jovens.

Atividades para Formação Integral

As atividades que visam a formação integral do jovem deverão fazer parte de todas as etapas de crescimento, não precisando estabelecer uma ordem linear de ação, mas sendo muito importante que sempre sejam observadas e trabalhadas em conjunto.

Dimensão humana

  • Lazer - futebol, vôlei, trilha, caminhada ecológica, festas, lual, aniversários…
  • Convívio - preparar cartão, cartas, lembretes com pensamentos, para serem distribuídos no encontro, nas missas. Promover dinâmicas, aniversários, etc.
  • Formação específica - convidar pessoas que possam estar falando sobre esta dimensão. Psicólogos, pedagogos, lideranças, pais para dar testemunho ou falar sobre o que eles pensam da família.
  • Acolhida (aconselhamento) - além do que é próprio, podem estar ajudando a sempre criar um ambiente legal, com músicas de fundo, flores, cartazes, desejando boas vindas a quem vem para o grupo, ou se na celebração, acolher as pessoas que vem para a celebração, da Palavra ou Eucarística.
  • Ação social (caridade) - motivar os outros a fazerem acontecer os gestos concretos citados no ponto que fala da “estrutura do encontro” estar em sintonia com as necessidades das pessoas da comunidade - bairro, paróquia, município.

Dimensão espiritual

  • Celebrações (liturgia): estar atento aos folhetos das missas para trazer com antecedência para o grupo se preparar, podendo promover um enriquecimento nos ritos, como uma boa acolhida na celebração e participação dos jovens na liturgia.
  • Retiros: Promover o EJAC, para chamar novos jovens à comunidade, e outros específicos para os líderes do Grupo Jovem.
  • Espiritualização do grupo: promover tardes de espiritualização, de louvor, adorações, terços. Tottus Tuus e Terço Cantado.

Dimensão intelectual

  • Cursos: convidar professores, lideranças, padres, que falem sobre os temas atuais. Política, economia, saúde, religião (teologia), etc.
  • Estudos: promover estudos destes temas para que o grupo não se torne alienado, isolado do mundo que viva.
  • Formações: estar acompanhando o que tem na cidade, diocese, de palestras, cursos, e repassar para o grupo motivando a participação.

MÉTODO VER-JULGAR-AGIR

(Trecho retirado do Diretório Nacional de Catequese - Documento Nº 84 da CNBB)

  1. O método ver-julgar-agir, por experiência e tradição na pastoral latino-americana, tem trazido segurança e eficácia na educação da fé, respondendo às necessidades e aos desafios vividos pelo nosso povo. Entre nós o termo julgar está sendo substituído por iluminar. Nesse processo do ver-iluminar-agir acrescentaram-se o celebrar e o rever. Não são passos estanques nem seqüência de operações, mas trata-se de um processo dinâmico na educação da fé.
  1. VER é um olhar crítico e concreto a partir da realidade da pessoa, dos acontecimentos e dos fatos da vida. A catequese motiva os catequizandos a conhecer e analisar criticamente a realidade social em que vivem, com seus condicionamentos econômicos, socioculturais, políticos e religiosos. É necessário que o próprio catequista tenha uma formação contínua, para que se habitue a fazer análise de conjuntura e sensibilizar-se com os problemas da realidade, descobrindo os sinais dos tempos. O ver cristão já traz em si a iluminação da fé.
  1. ILUMINAR é o momento de escutar a Palavra de Deus. Implica a reflexão e o estudo que iluminam a realidade, questionando-a pessoal e comunitariamente. Para acolher a realidade, como cristãos, é necessária a conversão contínua na busca da vontade do Pai. Com abertura à presença do Espírito Santo, na escuta orante da Palavra de Deus, com atitude contemplativa e fidelidade à mesma Palavra, à Tradição e ao Magistério, o catequista cresce na capacidade de questionar a realidade.
  1. AGIR é o momento de tomar decisões, orientando a vida na direção das exigências do projeto de Deus.  É o tempo de vivenciar e assumir conscientemente o compromisso e dar as necessárias respostas para a renovação da Igreja e a transformação da realidade. Isso exige de catequistas e catequizandos tenham confiança em Deus, coerência entre fé e vida e a fortaleza para acolher as mudanças que são necessárias na caminhada da sociedade e na sua vida pessoal, com suas profundas exigências éticas e morais. O agir é compromisso de viver como irmãos, promover integralmente as pessoas e as comunidades, servir aos mais necessitados, lutar por justiça e paz, denunciar profeticamente e transformar evangelicamente as estruturas e as situações desumanas, buscando o bem comum. O compromisso do agir aparece hoje muito enriquecido com os princípios e critérios expostos no Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2005), que fundamenta e aplica nas realidades sociais uma ética e uma moral cristãs.
  1. CELEBRAR é momento privilegiado para a experiência da graça divina. É o feliz encontro com Deus na oração e no louvor, que anima e impulsiona o processo catequético. Supera a oração puramente rotineira. A dimensão orante e celebrativa deve caracterizar a catequese, para que ela não caia na tentação de ser feita de encontros só de estudo e compreensão intelectual da mensagem evangélica. A celebração também educa a pessoa e o grupo  para a oração e contemplação, para o diálogo filial e amoroso, pessoal e comunitário com o Pai. A dimensão catecumenal da catequese tem aqui sua maior expressão.
  1. REVER é o momento para sintetizar a caminhada catequética, valorizar os catequistas e os catequizandos, aprofundar as etapas do planejamento proposto, revendo os conteúdos e os compromissos assumidos. O rever é o ver de novo a caminhada da catequese; é tomar consciência, hoje, de como agimos ontem para melhor agir amanhã. Faz surgir novos questionamentos para ajudar a tomar decisões e determinar o grau de eficácia e de eficiência, favorecendo uma contínua realimentação. O rever é um momento dinâmico, e constitui uma espiral que nos lança para a frente numa caminhada contínua na construção do Reino. Para rever com eficiência a sua ação, os catequistas devem ter um conhecimento básico dos princípios de planejamento participativo e a atitude firme de levar em conta as avaliações feitas, mudando o que deve ser mudado, libertando-se de rotinas paralisantes, confirmando a caminhada feita sob o impulso do Espírito Santo.

CONTEÚDO DE FORMAÇÃO

REFERÊNCIAS